[RESENHA] O Conto da Aia

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Enquanto muitos vieram a conhecer a graciosa obra-prima que é O Conto da Aia apenas em 2017 com a chegada da série The Handmaid’s Tale (Hulu), se engana quem acha que o livro foi recém publicado.

A primeira edição da distopia foi publicada em 1985, mas o pensamento da canadense Margaret Atwood ainda se faz atual décadas depois. Por tratar de assuntos sérios, ler cada página do livro é difícil e angustiante, o que me fez tentar aprecia-ló e não devorar tudo de uma só vez.

Como toda história distópica, essa se passa no futuro (que poderia muito bem ser 2018), o que um dia foi os Estados Unidos se tornou a República de Gilead, uma sociedade onde mulheres perderam todos os seus direitos, incluindo os sobre seu próprio corpo. Toda aquelas férteis, uma pequena parte da população desse regime, são obrigadas a engravidarem de comandantes e gerar filhos para o estado. Toda a justificativa para que isso aconteça é retirado da bíblia, que muitas vezes são fragmentos distorcidos para que a hierarquia dessa sociedade tenha razão sobre seus atos.

O fundamentalismo religioso destrói todos os direitos civis não apenas de mulheres, mas de outras partes da população, como os homossexuais e aqueles que seguem a ciência se opondo contra esse cenário. Um mundo assustador, mas não tão distante da nossa própria realidade.

Apesar de ser preciso um tempo para digerir o que lê, O Conto da Aia não é cansativo e mantém o leitor atento a todos os detalhes, sendo esses muito bem descritos pela narradora, a aia Offred (of Fred = de Fred), que consegue contar sua história e mostrar o núcleo de tudo que acontece nesse regime assustador.

Se comparado com a adaptação para a TV, o livro pode perder em muitos aspectos que apenas o audiovisual pode proporcionar. Mas se torna uma leitura obrigatória para os fãs da série e de distopias em geral, já que o mesmo narra com detalhes as emoções que a atriz Elisabeth Moss tenta transparecer apenas com suas expressões faciais na adaptação do Hulu.

Se você está querendo ler algo leve apenas para passar o tempo, passe longe de O Conto da Aia. Mas se procura um choque de realidade com uma escrita cativante e cheia de momentos tensos, então esse livro está mais do que recomendado.

CRÍTICA
O Conto da Aia
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Apaixonado por cinema, seriados e literatura. Quando criança queria ser astronauta, e hoje vive no mundo da lua.