[RESENHA] Marlena

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Todo mundo conhece as principais características da adolescência. Rebeldia, drama, medo, conflitos, incompreensão e sentimentos confusos. Se você mesmo não viveu nada disso, provavelmente deve ter conhecido alguém no auge dos quinze aos dezoito anos que passou por momentos assim. É exatamente isso que encontramos em Marlena, primeiro romance de Julie Buntin.

Título: Marlena
Autora:
 Julie Buntin
Ano de publicação: 
2017
Páginas:
302
Editora: 
Fábrica231

Catherine é uma menina de 15 anos que vê sua vida mudar drasticamente depois do divórcio dos pais, quando ela se muda com a mãe e o irmão para Silver Lake, uma cidade que não há muita coisa para fazer. Com a mãe alcoólatra e tendo que economizar ao máximo para sustentar os filhos sozinha, Cat acaba abandonando a “menina estudiosa e comportada” e decide tentar ser uma pessoa diferente.

Ela, então, conhece Marlena, sua vizinha de dezessete anos. As duas logo se aproximam até se tornarem melhores amigas. Inseparáveis. Cat enxergava Marlena como alguém que parecia ser livre e dona de si, cheia de confiança e beleza. Era nela que Catherine queria se transformar. Mas, Marlena não se trata de uma influência muito boa, especialmente perto de alguém que está tentando ser outra pessoa. Após o abandono da mãe, a adolescente enfrenta problemas com o pai traficante que quase nunca aparece em casa e ainda precisa lidar com o próprio vício em drogas, que a faz realizar favores desagradáveis em troca de comprimidos.

Na companhia de Marlena, Cat passa a cabular aulas para ficar bêbada e chapada com outros garotos encrenqueiros. A amizade das duas segue com esses excessos e descontroles, chegando até a atingir um nível obsessivo. Aquele tipo de relação que, por mais que as duas pessoas afirmem estarem bem, todos conseguem enxergar que uma não faz bem para a outra. Infelizmente, isso só parece acabar quando Marlena morre – e isso não é um spoiler!

Como eu disse, nós duas formávamos uma menina perfeita, irretocável. Nada poderia nos atingir, desde que não estivéssemos sós.

Embora a premissa da história tenha uma dose de thriller psicológico, não é isso que encontramos na leitura. A trama é focada em contar sobre a amizade entre duas meninas muito diferentes, mas nenhuma delas acaba sendo uma personagem muito agradável. A construção de Marlena é muito boa, sendo ela uma adolescente perdida que ainda tenta demonstrar estar no controle da própria vida, mesmo quando absolutamente tudo já deu errado faz tempo. Por mais que ela não agrade muitos leitores, é impossível não sentir ao menos um pouco de pena da personagem, que tem um passado pesado demais para qualquer garota de dezessete anos.

Por outro lado, Cat é o tipo de personagem que poucos gostam. Extremamente influenciável, ela faz qualquer coisa para que gostem tanto dela quanto de Marlena, até que passa a querer superá-la. É triste ver a relação doentia que ela sustenta, principalmente em momentos que Cat secretamente vê como a amiga está perdendo o controle com as drogas e decide manter o segredo – porque é isso que amigas fazem.

A narrativa é intercalada entre capítulos do passado, que narram as duas em Silver Lake, e alguns capítulos do presente de Cat, vinte anos depois, em Nova York. Apesar da trama que não prende, Marlena é interessante por ser extremamente real – não é à toa que a história é inspirada na própria autora, não é?

CRÍTICA
Marlena
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Futura jornalista apaixonada pelo mundo da literatura e do cinema.