Crítica | Além da Morte

0

Em um ano repleto de novas obras de terror e suspense, como Fragmentado e Mãe!, o final de outubro trouxe a estreia de Além da Morte, remake do Linha Mortal (1990), na época estrelado por Kevin Bacon, Kiefer Sutherland, Oliver Platt, William Baldwin e Julia Roberts. Neste novo filme, somente Sutherland retorna no elenco, protagonizado por Ellen Page, Kiersey Clemons, Nina Dobrev, Diego Luna e James Norton. A direção fica por conta de Niels Arden Oplev.

Assim como na versão original, a trama traz cinco estudantes de medicina que decidem se aventurar nos limites entre a vida e a morte. O projeto começa com Courtney (Ellen Page), que recruta seus colegas de turma para que eles parem o coração dela por alguns minutos, gravem qualquer atividade cerebral que ocorrer e a tragam de volta no tempo considerado seguro.

Para muitos, uma tarefa como esta seria loucura total ou pura estupidez. Mas, convenhamos, quem nunca quis saber o que acontece após a morte? É a única pergunta que a humanidade ainda não conseguiu responder. Portanto, qualquer um que chegasse perto de alguma comprovação já estaria dando um passo histórico na ciência – agora imagine o poder disso na mente de jovens estudantes de medicina cheios de ambição.Quando Courtney volta de sua experiência de quase morte, alguns talentos são “acordados” junto com ela; basicamente, ela fica mais inteligente do que antes. Um pequeno detalhe como este é suficiente para fazer com que os integrantes do grupo secreto, um a um, passem a desejar o mesmo. Já ouviu aquela frase “é um bom dia para morrer”?

O suspense entra em jogo quando assombrações começam a girar em torno daqueles que morreram e voltaram, como pecados do passado que surgem como forças sobrenaturais. Popularmente, nós chamamos de: consciência pesada. É a partir disso que o público passa a conhecer os personagens pouco a pouco, mantendo uma linha boa de mistério que instiga e prende atenção. O filme acerta em cheio no ritmo das cenas de terror que, embora boa parte siga o clichê do sobrenatural, faz com que você fique na expectativa de “quem será o próximo?”. Sem intenção de comparar, mas alguém aí é fã de “Premonição”?

A premissa é muito boa e o roteiro é razoavelmente bom. Os protagonistas poderiam ter sido mais bem aproveitados, especialmente a personagem de Ellen Page. Alguns surpreendem ao quebrar a imagem deles que é construída bem no início do filme, mas fica por isso mesmo. De certa forma, parece que a presença deles e a relação que um tem com o outro é apresentada superficialmente.

Apesar de encerrar a trama com uma boa lição sobre humildade e perdão – que se encaixa muito bem tanto nos anos 90 quanto agora -, o grande erro de Além da Morte é ser um filme fácil de ser esquecido. Ele cumpre a missão de entreter, mas não é nenhuma obra que ficará marcada na nossa memória.

 

CRÍTICA
Além da Morte
COMPARTILHE
Futura jornalista apaixonada pelo mundo da literatura e do cinema.